Mutabilidade Encapsulada


Um Objeto pode mudar internamente, mas permanecer imutável para o mundo exterior.

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Introdução

Uma das atribuições da Orientação a Objetos é gerenciar a mutabilidade.

Então foi criado o conceito de atributos privados, onde o acesso a esses atributos não seria permitido ou só seria permitido através de métodos públicos.

O gerenciamento da mutabilidade nos proporcionou um código mais seguro, melhorando a munutenabilidade.

Entretanto, Objetos Mutáveis são os opostos dos Objetos Imutáveis. Esses últimos são mais simples de usar e ainda mais seguros.

Mas nem sempre conseguimos — ou queremos — codificar um Objeto completamente imutável. Seja por questão de performance, design ou restrição tecnológica.

Esse artigo irá lhe mostrar que podemos ter um Objeto imutável para o mundo externo, mesmo ele sendo mutável internamente.

Mutabilidade

Na Orientação a Objetos, toda mutabilidade deve ser controlada.

Nenhum atributo deve estar disponível para alteração de forma direta. Devemos, sempre, prover uma restrição com a máxima segurança aos atributos de um Objeto.

A maioria das linguagens com suporte a Orientação a Objetos já faz isso por padrão. Basta declararmos os atributos como private para que eles não sejam vistos fora do escopo do Objeto.

Infelizmente, o uso das técnicas de reflexão acabaram com essa segurança, nos levando de volta aos tempos da programação procedural e variáveis globais, onde tudo está acessível a todos… mas, nesse artigo, vamos fingir que isso não existe. Voltemos aos atributos e a mutabilidade.

Não me refiro aos atributos que fazem parte do Estado do Objeto, pois esses não deveriam ser violados.

A mutabilidade estará em algo que chamo de atributos secundários.

Esses tipo de atributo não faz parte do Estado do Objeto. Então ninguém, além do próprio Objeto, sabe de sua existência.

Vejamos o mesmo exemplo do artigo anterior:

O atributo FStream não faz parte do Estado do Objeto. Esse atributo foi criado pensando na performance, ou seja, toda vez que o método TFile.Stream for chamado, apenas na primeira vez o stream do arquivo será lido em disco.

É um atributo secundário.

Mas algo muito importante deve ficar claro: Poderíamos remover esse atributo.

Para o Objeto exercer seu contrato, ele não é necessário!

A implementação do Método poderia ser apenas isso:

O Objeto continuaria funcionando, no entanto teríamos o “problema” da performance.

Então o programador opta por implementar algo interno ao Objeto. Algo que pode ser alterado a qualquer momento, sem impacto na manutenção do código externo ao Objeto.

Conclusão

Vimos que não há problemas em termos atributos secundários mutáveis dentro de Objetos — se o Objeto souber gerenciá-los corretamente.

O que acontece dentro de um Objeto, é segredo do Objeto.

Então seria vantagem criar tais atributos? Depende.

Haverá casos que é mais simples criar algo interno ao Objeto. Mas outras vezes, não.

Você irá decidir com base nas Regras de Negócio, performance, simplicidade, design das Classes… e prazo de entrega do seu software.

Felizmente, como são atributos privados, você pode alterar o código qualquer momento.

Então, não pense tanto sobre isso.

Até logo.

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