Trabalhando com Exceções em Requisições HTTP


Em requisições HTTP, devemos levantar uma exceção quando recebermos, por exemplo, um código 500?

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Tivemos uma discussão em um grupo do Telegram sobre utilizar ou não exceções em requisições HTTP, o que me inspirou a escrever esse artigo.

Como todos sabemos, o protocolo HTTP é baseado em texto simples.

Cada requisição do cliente é composto por um cabeçalho e um corpo (opcional):

GET /index.html HTTP/1.1
Host: www.example.com

A resposta do servidor segue o mesmo protocolo, contendo um cabeçalho e um corpo (também opcional) de resposta:

HTTP/1.1 200 OK
Date: Mon, 23 May 2005 22:38:34 GMT
Content-Type: text/html; charset=UTF-8
Content-Length: 138
Last-Modified: Wed, 08 Jan 2003 23:11:55 GMT
Server: Apache/1.3.3.7 (Unix) (Red-Hat/Linux)
ETag: "3f80f-1b6-3e1cb03b"
Accept-Ranges: bytes
Connection: close

<html>
<head>
  <title>An Example Page</title>
</head>
<body>
  Hello World, this is a very simple HTML document.
</body>
</html>

A beleza desse protocolo é que mesmo seres humanos, não apenas máquinas, podem ler entender (a maioria do) seu conteúdo.

Então podemos perceber que há um padrão em ambas as mensagens acima, identificado na primeira linha, indicando o sucesso ou erro da requisição ou resposta.

O padrão é determinado por um par de código e texto no qual identificaremos por status.

No exemplo acima, o status é determinado pelo código 200 e o texto “OK”. Mostrando uma resposta padrão de sucesso.

Há uma grande lista de códigos pré-determinados e toda aplicação deveria respeitá-los em todas as requisições e respostas.

Agora, repare que não existem objetos e tão pouco objetos de exceções.

No início do artigo eu disse que a dúvida que gerou a discussão foi utilizar ou não exceções, ou seja, objetos Exception e derivados em clientes HTTP.

Minha resposta?

Você não deveria utilizar exceções em clientes HTTP, somente nas suas classes de negócio.

Se o protocolo não tem exceções, por quê implementá-lo na classe mais básica, ou seja, a que faz a ponte entre o seu sistema e a requisição HTTP?

Para mim, não faz sentido.

É verdade que existem vários frameworks que implementam clientes HTTP como, por exemplo, Indy, Synapse ou até mesmo os clientes padrão da linguagem.

Talvez esses clientes podem gerar uma exceção quando recebem um código 500 ou talvez não. Não importa. Você deveria encapsular essas classes de terceiros em suas próprias classes de acesso HTTP. Assim, você poderia mudar de framework apenas alterando essas classes.

Pense apenas em um cliente HTTP genérico, cru, que implementa o protocolo como ele deve ser: envio e recebimento de mensagens no formato texto. A partir dele você constrói classes de negócio que utilizam o cliente, adicionando comportamento referente as regras de negócio.

Na parte final da série “Microservices com Delphi” você poderá ver mais um exemplo de como fazer o tratamento de códigos de retorno do cliente HTTP. Esse é apenas mais um exemplo e não um padrão. Tudo irá depender da sua aplicação, quais códigos verificar e o que fazer quando recebê-los.

Apenas mantenha os clientes o mais simples possível.

Até logo.

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